sábado, 29 de outubro de 2011

"tenho saudades tuas

... assim para cima de bué", disseram-me há pouco tempo. e mesmo que me tenha sabido bem, só depois de aparvalhar um bocadinho é que consegui responder de igual forma.

"miss you like crazy" também me escreveram há dias no Facebook.

"ao fim de não-sei-quantos-anos foi um enorme prazer reencontrar-te porque há pessoas cujas linhas da vida se cruzam com as nossas e nunca mais se descruzam" foi outra mensagem maravilhosa que recebi recentemente. enviei mensagem de volta a dizer que era completamente mútuo, e foi com sinceridade absoluta que o fiz, mas demorou um bocadinho.

e depois há aquelas pessoas de quem sinto muita falta mas que estão longe, algumas a milhares de quilómetros de distância, e não fossem as novas tecnologias de comunicação, pouco saberia delas. N. e I., sinto-os tão longe... e preciso de vocês. tenho precisado das vossas mãos e das vossas vozes a dizerem-me que vai tudo correr bem. sou egoísta, eu sei, mas é a verdade.

e há também aquelas com quem posso ter estado há minutos, e que quando nos separamos já tenho saudades. essas são poucas...

tenho a sorte de estar perfeitamente suportada por muita gente, gente que interessa, o que não impede que sinta falta das que não tenho sempre por perto.

por exemplo, acabei de descobrir que uma pessoa que até há poucos anos costumava saber (quase) tudo de mim e eu dele, vai ser pai. e eu não sabia de nada. é o tipo de coisa que me deixa verdadeiramente triste. e zangada. não sei se mais comigo se com os outros.


sou eu que estou longe? sou ingrata? tenho estado demasiado recolhida? estarei a proteger-me demasiado? tem este estado de semi letargia em que me encontro provocado um afastamento inconsciente?


se for esse o caso e a culpa for minha, chamem-me nomes se quiserem. mas chamem-me. mesmo que no primeiro instante eu recuse, insistam fáchavor. eu às vezes sou um bocado parva, como sabem.


a verdade é que não posso viver sem vocês.

sábado, 22 de outubro de 2011

citações #2

"Mas havia tanta coisa que ela queria dizer a Gillian, tantas lições. Precisava de o fazer antes que fosse tarde demais. Todas as coisas que Eleanor aprendera se perderiam e Gillian teria de viver a sua vida sem as saber.

Que sempre se pode mudar de opinião.

Que as pessoas são fundamentalmente boas.

Que a culpa e a falta de confiança em si mesmo nunca ajudaram ninguém.

Que é preciso amarmo-nos e respeitarmo-nos a nós mesmos antes de dedicarmos a nossa atenção a outras pessoas."


em "Reencontros" de Cathy Kelly

domingo, 9 de outubro de 2011

porque razão

... alguém, de livre vontade e consciente, decide preencher cicatrizes com tinta na pele e marcar o próprio corpo para sempre? não é fácil de responder embora seja uma questão que com alguma recorrência me é colocada.

apenas posso falar por mim, e penso que todas as pessoas que o fazem pelos motivos certos dirão o mesmo. é como o BI: pessoal e intransmissível.

no meu caso posso tentar responder com frases soltas, mas se calhar nunca consigo explicar-me bem: que me sinto mais eu e mais completa com as minhas tatuagens, que é como se devesse ter nascido com elas, que são a expressão de convicções muito fortes.

tenho três, cada uma simboliza crenças profundas e intemporais, por isso não me faz confusão nenhuma que sejam para o resto da vida. por isso me faz tanta confusão que seja precisamente essa a razão que faz tanta confusão aos outros.

sugar o nectar da vida, alimentar-me dele.

ter consciência da perenidade, mas acreditar no renascimento interior cíclico, faça sol ou tempestade.

o amor infinito que tudo vence, a protecção infinita dos meus Anjos Terrenos, a Fé verdadeira que é provavelmente um dos sentimento mais difíceis de se conseguir.

venham dizer-me que é estupidez, que o "gado" é que é marcado (como alguém já teve a coragem de me dizer), tratem-me com preconceito (como já aconteceu), obriguem-me a esconder com roupa o que escolhi para mim própria (como acontece quase todos os dias), chamem-me nomes (como já me chamaram). não quero saber. não muda nada.

sim, eu escolho marcar o meu corpo com desenhos, acho-os bonitos e para mim são símbolos dos meus desejos mais profundos, das minhas mais fundamentais crenças, das leis pelas quais tento reger a minha vida.

para sempre. como quase tudo aquilo que é realmente importante na vida.