...desde que o pai e a mãe souberam que o coração do seu filho por nascer tinha parado de bater. passaram também quatro semanas desde que ele desapareceu fisicamente para sempre.
estiveram juntos cada momento dos três dias. no segundo dia o pai disse à mãe que queria levá-la a um sítio. ela estava tão cansada de coração e de corpo que lhe pediu para não saír. no terceiro dia, ele pegou no frasco antigo que tinha enchido com areia do deserto, anos atrás, e levou a mãe perto do mar. no frasco antigo com a areia vinda de tão longe, foi colocada uma foto do pequenino e uma folha rasgada com palavras de amor.
e depois foi mandado ao mar. o pai ganhou balanço, puxou o braço atrás e lançou-o. o Feijãosinho permanece desde então no mar, no mundo, no universo de que tudo faz parte. nos nossos corações para sempre.
a partir de quando é que se tem alma? diz-me a minha educação cristã que é apartir da concepção, através do Espírito Santo, "o senhor que dá a vida". a minha racionalidade diz-me que, a existir, a alma nasce com o bebé e cresce com ele. não sei. só sei que nas almas da mãe e do pai a dele viveu.
a vida continuou. por mais estranho que parecesse os dias continuaram a nascer e a dar lugar às noites. as pessoas continuaram a fazer o que sempre fazem. a natureza continua inteligentemente a seguir o seu curso.
desde então, houve dias bons, de serenidade. quase felicidade até.
desde que estejamos vivos, sobrevivemos a tudo, aprendi. e assim, a razão de existir e de viver se fortalace, eu fortaleço, e recuso-me a não continuar a contar as bençãos. tenho muitas.
obrigada Feijãosinho, e obrigada meu Amor.
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love you (all) so much :)))
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